domingo, 20 de outubro de 2013

Conjunto Penal é pioneiro no projeto Xadrez que Liberta


Crédito: Fernanda Fontes/FE

Utilizado como instrumento pedagógico e de socialização, o xadrez pode modificar o comportamento impulsivo e desenvolver o raciocínio lógico dos seus praticantes, entre outros benefícios. Com este intuito, o Conjunto Penal de Feira de Santana teve, na manhã desta quarta-feira (4), a aula inaugural do projeto Xadrez que Liberta, de iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap).


Com uma experiência positiva em 32 unidades penitenciárias do estado do Espírito Santo, o projeto incentivou a prática do xadrez e envolveu cerca de 3.500 internos. A iniciativa também foi vencedora do prêmio “Spirit of Sports”, realizado pela Sportaccord, entidade que reúne federações esportivas internacionais.


Em Feira de Santana, mais de 80 detentos, que freqüentam no Colégio Estadual Paulo VI (instituição localizada dentro do presídio), participarão do projeto Xadrez que Liberta, recebendo orientações sobre as regras do jogo, os movimentos e capturas das peças. O plano inicial é formar um clube de xadrez por pavilhão, cada um com um dirigente do próprio grupo e outro monitor de fora, que deverá auxiliar nos grupos que vão se auto-organizar.


“Vamos trabalhar com alguns alunos da escola e capacitá-los para que sejam agentes multiplicadores do xadrez dentro dos pavilhões. Eles terão aulas de xadrez com alguns professores no turno oposto de suas aulas. O objetivo é que eles passem estas informações dentro do pavilhão e futuramente vamos fazer um torneio de xadrez em toda a unidade. São muitas vantagens do jogo, ele ajuda a pensar, jogar refletindo na causa e no efeito, pois muitos estão aqui dentro por não ter pensado muito nos atos que cometeram”, explicou Eric Souza, professor de biologia e coordenador do projeto no Conjunto Penal.


Para Maria do Socorro Frerichs, gestora do projeto Começar de Novo do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a prática do xadrez realiza uma transformação no comportamento dos detentos e os levam a pensar melhor nas suas atitudes. “Feira de Santana foi escolhida para receber o projeto piloto da iniciativa, vamos ver as falhas, os acertos e aperfeiçoar o projeto, que será levado também para as demais unidades penitenciárias do estado. O xadrez realiza uma mudança de atitude do cumpridor de pena, mudando seus hábitos, ele desenvolve várias aptidões, o intelecto, a capacidade de concentração, de pensar antes de agir e a reflexão. Isto diminui a reincidência criminal por tabela e, dentro da penitenciária, o detento está ocupando a mente dele com algo produtivo, pois é um jogo que sociabiliza o indivíduo, pois ele tem que estar em contato com o outro o tempo inteiro”, afirmou a gestora.



Outros benefícios do projeto é fazer com que os detentos traçem um paralelo entre o jogo e a vida. “Além de desenvolver o cognitivo, os reclusos aprendem a respeitar o momento do outro agir, se colocar no lugar de outra pessoa, isso pode ser levado para nossas vidas, principalmente para aqueles que praticaram algum tipo de delito. Isso é muito importante, pois ajuda a conter os impulsos, reeducando e remodelando seu comportamento perante todas as situações da vida”, concluiu Maria do Socorro.

Fonte: http://www.jornalfolhadoestado.com/noticias/17318/conjunto-penal-e-pioneiro-no-projeto-xadrez-que-liberta


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